Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

O casmurro e a minhoca

Relativamente à revelação feita por Scolari das razões que o levaram a nunca convocar o Baía - e contrariamente a muitos que se fartaram de lhe dar bordoada -, considero-me esclarecido.

Mais ou menos esclarecido, porque nestas coisas da bola fica sempre alguma coisa escondida ou nas entrelinhas, que só quem frequenta aqueles ambientes conseguirá descodificar na sua plenitude.

Mas, independentemente de um ou outro pormenor que alguns ainda poderão, eventualmente, contar um dia, a razão da não convocação do Baía pelo Scolari é simples e resume-se a uma simples palavra: casmurrice. 

Claro que associado a isso há outra razão: o Scolari acreditou na competência dos guarda-redes Ricardo e Quim e fez aquilo que qualquer bom treinador faz: protegeu os seus jogadores, dando-lhes confiança, de forma a fortalecer aquilo a que na tropa se chama "espírito de corpo".

Ou seja, blindou o seu grupo contra ataques externos ou simples tentativas de desestabilização, tão frequentes no mundo da bola.

O Paulo Bento faz o mesmo, ao contrário da abécula do Queirós que, nos momentos difíceis, sempre preferiu sacudir a água do capote e arranjar um bode expiatório, fosse ele dirigente, jornalista ou jogador.

Disse o brasileiro que inicialmente não convocou o guarda-redes portista porque lhe foi dito pelo Mourinho e pelo Pinto da Costa, num Belenenses-Porto, que ele estava castigado por motivos disciplinares.

Aqui parece que a memória do Scolari o atraiçoou, porque nesse desafio o Baía jogou.

Na verdade, o Baía esteve castigado durante alguns jogos, entre Setembro e Novembro de 2002 (o jogo com o Belenenses aconteceu em Janeiro de 2003).

Esse castigo aconteceu porque o Mourinho lhe perguntou se estava ou não a cem por cento para jogar e, como a resposta foi dúbia, o treinador não lhe deu a titularidade.

O Baía reagiu com declarações públicas muito desafiadoras e, obviamente, foi punido com o afastamento da equipa e provavelmente com alguma multa pesada.

Às tantas lá se retratou e acabou por ser reintegrado, mas houve uma fase em que a sua saída parecia certa.

Foi devido a esses problemas disciplinares que o Scolari afirma agora ter decidido não o convocar inicialmente. 

Mais tarde, na Federação, confirmaram-lhe que o Baía criava - ou tinha criado - problemas no balneário.

Até agora não vi ninguém desmentir isto (nem confirmar, valha a verdade).

Não sei se estes problemas tiveram alguma relação com a vergonha que foi a participação da selecção no Mundial de 2002 - dentro e fora das quatro linhas - e com facto de o Baía ter jogado os três jogos, contra todas as expectativas, porque quem tinha feito os jogos de apuramento foram o Quim (inicialmente) e o Ricardo (depois). O Baía não participou em qualquer jogo, por ter estado grande parte do tempo lesionado.

Na sequência dessa participação vergonhosa no Mundial de 2002, houve conflitos entre o seleccionador Oliveira e a Federação e parece que o Baía foi testemunha do primeiro.

Mas isto já são as tais intrigazinhas em que o português é fértil.

O certo é que o Scolari nunca mais o convocou. 

Entretanto a pressão sobre ele foi-se acentuando.

A dos jornalistas foi pública, todos os dias lhe perguntavam a mesma coisa.

A do Porto também é conhecida, pois com a reintegração do Baía já não tinham razão para o castigarem mais.

E de certeza que recebeu pressões nos bastidores, como é típico deste paisinho de intrigas, promiscuidades e ameaças veladas.

É verdade que o Scolari é casmurro e também é verdade que durante muito tempo se escudou numa "opção técnica" para não o convocar.

Mas, que diabo, se ele não queria revelar estas razões em público, para não criar guerras, que outra justificação poderia dar? 

E por que raio é que ele iria inventar uma conversa com o Mourinho e o Pinto da Costa?

Quanto ao Madaíl, dou-lhe pouco crédito, porque é um homem de fraca personalidade.

publicado por Mário Pereira às 16:23
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