Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011

Bancos, casas, leilões, empréstimos, arrendamentos, leis e abutres...

A última moda em matéria de venda de casas no nosso País são os leilões.
Casas que tiveram que ser devolvidas, porque os seus proprietários não conseguiram honrar os compromissos, estão a ser recolocadas no mercado pelos bancos a preços de saldo.
À primeira vista, estes leilões não são mais que "a lei da vida". Ou seja, tal como na natureza os abutres passam a vida a planar lá no alto, na busca insaciável de animais mortos ou moribundos para se poderem banquetear com eles, também na humanidade os "abutres" vivem da desgraça alheia, comprando a preços de saldo casas, empresas e todo o tipo de bens, que os anteriores proprietários foram forçados a entregar aos credores, em consequência de terem ficado desempregados, falido, ou de alguma forma terem sofrido uma diminuição nos seus rendimentos.
Embora ninguém simpatize com os abutres, a verdade é que, entre ser um deles ou uma das suas vítimas, a escolha seria certamente fácil para toda a gente.
Assim, os "abutres" são aparentemente gente que, tendo dinheiro disponível, aproveitam as crises para investir, comprando por preços baixos bens que, em circunstâncias normais, custariam muito mais. Depois, passadas essas crises, realizarão mais valias substanciais, ao recolocarem esses bens num mercado "renascido".
A vida é isto, tanto na selva como na humanidade. A desgraça de uns é a sorte de outros. Não é bonito (por isso é que os "sortudos" se chamam abutres), mas é assim.
No entanto, em Portugal as coisas são ligeiramente diferentes. A maioria desses abutres parece que também não nada em dinheiro, de maneira que recorre à dita-cuja-malfadada-e-responsável-por-tanta-coisa-má-da-nossa-economia-banca. Esta, longe de ter aprendido com os erros do passado, desata a criar condições especiais de empréstimos para aquisição de casas em leilões. 
Ou seja, toda a gente sabe que a banca, ao longo dos últimos anos, contribuiu para este sobre-endividamento da população, ao conceder empréstimos às pessoas para aquisição de bens de consumo, muitas vezes em pacotes que incluíam casas, mobílias, carros e férias. Também é sabido que alinhou sempre em toda a espécie de investimentos megalómanos e não reprodutivos com os sucessivos governos, tudo isto a pagar ao longo de prazos cada vez mais alargados, muitas vezes claramente superiores à própria vida das pessoas que assumiram esses compromissos. Quando deixou de ter dinheiro para emprestar, pois há muito que os portugueses deixaram de poupar, seduzidos pela vertigem do acesso fácil ao crédito ao consumo, passou a recorrer aos bancos dos países que, embora (e talvez também por isso...) mais ricos, tinham e têm o dinheiro das poupanças das suas populações. Qualquer pessoa que não fosse completamente estúpida percebeu há muito tempo que este forrobodó teria um dia que terminar. Mas quê, ninguém quis saber, porque é sempre mais cómodo fingir que tudo está bem do que enfrentar a dura realidade. Até que um dia...
Concluindo, temos hoje famílias inteiras a terem que ir para casa dos avós, porque os bancos exigem as suas casas, ao mesmo tempo que esses mesmos bancos emprestam dinheiro a outras pessoas para comprarem essas casas a preços substancialmente mais baixos. 
Entretanto, as tão apregoadas medidas de estímulo ao arrendamento continuam sem surtir efeitos.
Será impressão minha, ou há aqui alguma coisa que não bate certo?

PS - Pela primeira vez em Espanha, um Tribunal reconheceu, já este ano, que a entrega das chaves de uma casa salda por completo a dívida hipotecária pendente com uma entidade financeira. Em Portugal ainda não. Ou seja, por cá uma pessoa fica sem a casa por não a poder continuar a pagar, fica sem o dinheiro que já pagou por ela e ainda fica com uma dívida perante o banco. Isto é racional?

http://www.inverbis.net/actualidade/espanha-entrega-chaves-liquida-hipoteca.html

publicado por Mário Pereira às 13:36
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