Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

Viegas admite “aperfeiçoar” Acordo Ortográfico até 2015. Sintomático...

De facto (e não de fato, porque o c lê-se), é sintomático que, perante um acordo com mais de vinte anos, a única coisa que o secretário de Estado da Cultura diga é que ainda temos mais três anos para o "aperfeiçoar"...
De facto, o acordo é mau, porque foi feito a reboque dos brasileiros. Mas o problema não é a subalternização ao Brasil em si, embora isso não seja agradável, principalmente porque a Língua Portuguesa nasceu aqui e não lá. O verdadeiro problema é o facto de ninguém em Portugal sentir necessidade de alterar a ortografia. O argumento de que a nova ortografia torna mais fácil a aprendizagem para as criancinhas é ridículo. Que dizer então das criancinhas inglesas ou alemãs, por exemplo? 
Ao contrário do Brasil, em que as vogais são sempre pronunciadas como se fossem acentuadas (abertas), em Portugal as consoantes mudas servem, nalguns casos, para "acentuar" as vogais que as precedem. Pelo menos nestes casos elas deveriam manter-se. Por exemplo: "espectador" versus "espetador". Outra situação sem jeito nenhum: "acto" versus "ato". Outra: "Egito" versus "egípcio". Não faz sentido, a origem das duas palavras é a mesma. Depois, há outro tipo de questão: "expectativa" no Brasil leva c (porque se lê), enquanto em Portugal o c desaparece, por ser mudo. Além disso, a tendência, no futuro, é para o segundo e deixar de se ler como se fosse acentuado, passando a ler-se "espetativa", como na palavra "espetar". Bem basta a tendência que se vai impondo de alteração de pronúncias correctas por outras incorrectas "à moda de Lisboa". Exmplo: "actriz" (àtriz) passou a ser "âtriz". Actor (àtor), por enquanto, não. Já agora, para quando "àtora"? Outro exemplo: "ovelha" (uvelha), em Lisboa (e, gradualmente, no País) é "òvelha"...
Não chega já isto, juntamente com o facto de as pessoas cada vez falarem (e escreverem) pior, ainda precisávamos de metermos o Brasil na história? Confesso que, por muito carinho e amizade que sinta (e sinto) por aquele grande país, faz-me uma grande confusão ler textos ou ouvir brasileiros dizerem "nóis vamo sêmpri fàlá djifèrentchi, mais à pàrrtchir dji àgora vamo iscrèvê iguau. Não é pòssívèu vòutar àtrais. E vou tchi djizê, cara, você tem qui aguentá esse troço, porrqui êssi càminho não tem mais retorno não. O Bràsiu tem muità gêntchi, por isso ti djigo que vocês têm qui iscrèvê como nóis. Por exemplo, cêis têm qui pàssá à iscrèvê umidàdji, iguau à gêntchi. O àgá dji homem, por enquanto, não si tchirà. Mais dá mais um tempinho e você vai verr."
E quando Angola e Moçambique, que também têm muito mais falantes de Português do que nós, quiserem igualmente impor algumas alterações?
Parem enquanto é tempo!...
publicado por Mário Pereira às 13:14
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Cavaco Silva: "É impossível impor mais austeridade"

O presidente da República defendeu esta quarta-feira, em entrevista à TSF, que é "impossível impor mais austeridade" a um conjunto de portugueses mais vulneráveis, "a que agora se chama novos pobres", e disse que "é preciso olhar às pessoas".
Cavaco criticou ainda a actuação dos líderes comunitários e o seu posicionamento em relação às agências de rating.
"De facto surpreendo-me como é que 27 líderes europeus se deixam condicionar, e até chantagear, por três agências de rating norte-americanas"", revelou o presidente da República à TSF, numa entrevista em que pediu uma regulamentação para as agências que garanta "mais transparência".
Mas em 13 de Julho de 2010 Cavaco dizia: "Não vale a pena recriminar agências de rating. O que nós devemos fazer é o nosso trabalho para depender cada vez menos das necessidades de financiamento externo. Quando o país não precisar de pedir dinheiro no estrangeiro não temos que nos preocupar com agências de rating ou outras pressões".

A coerência acima de tudo...
"É impossível impor mais austeridade". 
Daqui por uns tempos falamos...
Confirme aqui a coerência do homem:
http://jugular.blogs.sapo.pt/3156427.html
publicado por Mário Pereira às 12:26
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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

Nós estamos num estado comparável à Grécia

Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte. 

Eça de Queirós, in 'Farpas (1872)' 

 

http://www.citador.pt/textos/nos-estamos-num-estado-comparavel-a-grecia-eca-de-queiros

publicado por Mário Pereira às 15:03
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

Cavaco surpreendido com desemprego: este cromo se não tivesse nascido tinha que ser inventado

O Presidente da República admitiu esta sexta-feira ter ficado surpreendido com os números recorde do desemprego.
"Eu próprio fiquei surpreendido", explicou o Chefe de Estado aos jornalistas, que referiu ainda como "muito preocupante" o desemprego jovem que atinge os 35 por cento dos portugueses com menos de 25 anos. Questionado se acha que a emigração dos jovens é uma solução, Cavaco respondeu: "Espero bem que não."
Dando de barato o facto de o Presidente discordar do Primeiro-Ministro em relação à emigração, em mais um sinal da desagregação gradual e irreversível das nossas instituições, que dizer perante isto? Chamar-lhe nomes? Por exemplo avantesma, ou aberração? Talvez ave rara?
Não vale a pena. Ele é o que é, todos o conhecemos há demasiado tempo para ficarmos surpreendidos com as suas bacoradas. É pena um tipo destes ser figura proeminente de um país durante mais de trinta anos (fora o que ainda está para vir...), mas pronto, é o país que temos e se calhar não merecemos mais. É por estas e por outras que nunca passámos, nem passaremos, de um paizinho da treta, porque com aves destas não se pode voar muito alto.
Além disso, toda a gente lhe vai dar (mais uma vez) bordoada por causa desta afirmação. A direita, porque não é próprio da direita preocupar-se com as pessoas que estão desempregadas. Se não trabalham é porque não querem, porque há para aí muito trabalho para quem não for calão. A esquerda, por ele ainda não ter reparado, até agora, que o desemprego era um drama, tendo sempre, em vez disso, apoiado as severíssimas medidas de austeridade de Passos Coelho.
Mas confesso que, nestas alturas, sinto sempre um bocadinho de pena do nosso "presidente da junta". Porque é penoso ver pessoas, só porque são um bocadinho limitadas, serem achincalhadas. Não é próprio de gente caridosa...
PS - Por falar em (falta de) caridade, como é que é possível este País rir-se e seguir em frente, ignorando completamente o dramático pedido de socorro do seu Presidente da República, completamente atolado em dívidas e incapaz de, com os seus magros proventos, honrar os compromissos? Está tudo à espera que o homem seja preso por andar para aí a ferrar calotes? Oliveira Costa, Dias Loureiro, Duarte Lima! Então? É só roubar à sombra do cavaquismo e na hora em que o chefe amigo precisa ninguém se chega à frente? A ingratidão humana é uma coisa tão triste...
publicado por Mário Pereira às 00:26
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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

Adopção por casais homossexuais chumbada no Parlamento: PRECONCEITO!

Qualquer pessoa que procure não se deixar levar pelo preconceito facilmente perceberá que não pode haver nenhuma lei a impedir casais homossexuais de adoptarem crianças. Portanto, é uma questão de tempo até isso acabar. E porque é que não pode? Por várias razões. Por exemplo:
1) A Constituição não o permite:
“Constituição da República Portuguesa – Artigo 13.º – Princípio da igualdade
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.”
2) Cada vez são mais as crianças que não têm consigo, no dia-a-dia, um pai e uma mãe de corpo inteiro. Ou porque eles se separaram, ou porque um deles é mais ausente do que presente, ou porque o ambiente familiar é mau, ou ainda porque um deles morreu. E, apesar disso, as crianças vivem.
3) Uma pessoa “bem casada”, ou seja, casada com pessoa de outro sexo, pode perfeitamente ser homossexual. Nada o impede, apenas se presume que não o seja.
4) Uma pessoa solteira, viúva ou divorciada pode adoptar uma criança, mesmo que seja homossexual. Basta que não o assuma.
Com esta lei, estamos apenas a impedir os homossexuais assumidos (mais que assumidos: casados) de adoptarem crianças. Quanto aos que, sendo-o, o escondem, nada a fazer, certo?
Ora bem, o que interessa é o interesse das crianças. Certo? Então, quem se indigna muito com estas questões da adopção – como antes se indignou com as questões do aborto, ou melhor, não do aborto em si, que desde sempre se realizou, na maioria das vezes sem quaisquer condições, mas com a despenalização do aborto –, que se indigne com as condições em que vivem tantas crianças com pai e mãe. Para não falar nos que vivem nas Casas Pias deste desgraçado País (por falar nisso: alguém pode garantir que não voltaram a acontecer lá violações?).
Há quem diga que é mau para o equilíbrio psicológico e emocional das crianças viverem com dois pais ou duas mães. Não sou psicólogo, mas parece-me que as crianças com deficiência, ou filhas de pai/mãe deficiente, ou anã, ou de raça negra, por exemplo, também têm que conviver com isso. O mesmo se passa com os feios, com os gordos, etc. É a vida… Uma das grandes vantagens que têm as vítimas destes e de outros preconceitos é que isso contribuirá certamente para que seja menos provável que elas próprias se tornem também preconceituosas.
Quanto ao facto de essa “coisa” da homossexualidade se pegar por simpatia, os especialistas são unânimes em afirmarem que não. Até porque parece que a homossexualidade não é uma escolha, mas sim uma condição que nasce com as pessoas. Ah e tal, mas o exemplo dos pais/mães pode levar a criança, chegada a adolescência, a desejar ter experiências homossexuais. E? Quantos o fazem, mesmo tendo pais normais? Mesmo que esta “coisa” se pegue, qual é o problema? O que conta é a felicidade das pessoas… ou não?
Para concluir, o que está aqui em causa, como estava no caso do aborto, é a liberdade das pessoas fazerem o que quiserem com a sua vida. Uns defendem essa liberdade. Outros não. É simples. E, por muitos argumentos que arranjem (e arranjam, porque não são gagos), tudo se resume a uma palavra: PRECONCEITO! Sempre assim foi, sempre assim será. Felizmente, apesar disso, o mundo tem avançado. Lentamente, por vezes com retrocessos. Mas avança. Também neste caso assim acontecerá. Dêmos tempo ao tempo e quem lá chegar verá.
PS - O PS votou maioritariamente a favor dos dois projectos do Bloco e dos Verdes. Mesmo no PSD e no CDS houve quem o fizesse. Apenas no PC, para não variar, houve unanimidade: votou contra! Decididamente, pluralismo é palavra estranha para esta gente. São sempre todos da mesma opinião, como se tivessem apenas uma cabeça. Quem ousar discordar da pensamento dominante já sabe: rua...
publicado por Mário Pereira às 23:33
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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

PS e PSD: cheiros diferentes para merdas iguais

Notícia do "Negócios" online de ontem: 

«Ex-ministro da Defesa tinha cartão de crédito com "plafond" mensal de 10 mil euros»

Será que esta gente ainda se lembra do significado original da palavra SOCIALISMO?

Relembremos os mais esquecidos:

«Sistema daqueles que querem transformar a sociedade pela incorporação dos meios de produção na comunidade, pelo regresso dos bens e propriedades particulares à colectividade, e pela repartição, entre todos, do trabalho comum e dos objectos de consumo.

(Priberam)

«1. sistema político-económico que preconiza, respetivamente, a direção e domínio do Estado nos bens de produção e consumo, e uma nova distribuição das riquezas
2. doutrina que defende o predomínio da sociedade sobre o indivíduo» 

(Infopedia)

E da SOCIAL DEMOCRACIA?
«1. Denominação do Partido Socialista em certos países estrangeiros, especialmente na Alemanha e na Escandinávia.
2. Conjunto das organizações e dos homens políticos que aderem ao socialismo parlamentar e reformista.» 

(Priberam)

«1. ideologia política que se integra no quadro das instituições democráticas e liberais e reconhece a propriedade privada e a função do mercado
2. socialismo reformista praticado sobretudo nos países escandinavos com ampla aplicação do cooperativismo» 

(Infopedia)

Estas notícias vindas pontualmente a público servem para recordar os mais esquecidos do fartar vilanagem que constituiu a meia dúzia de anos de governação socratista. Qualquer pessoa minimamente honesta se sente indignada quando ouve coisas destas, apesar de não constituírem propriamente novidade para ninguém. 

E a questão é precisamente essa: não são novidade, porque estão na massa do sangue dos partidos do poder, que, já agora, são formados por pessoas, ladras e corruptas por natureza na sua maioria, como parece ser sina deste desgraçado País.

Assim, não é de esperar grande diminuição na roubalheira do erário público nos próximos tempos, uma vez que os senhores que se seguem estão esfaimados por um longo afastamento da gamela do poder (apenas uns míseros três anitos nos últimos 16).

Só se a troika não deixar...

publicado por Mário Pereira às 14:35
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«Redução» da despesa pública em 2011: palavras para quê?

Enquanto os particulares e as empresas privadas diminuíram em 4,3 mil milhões de euros e 1,5 mil milhões, respectivamente, o montante total de dívidas, as administrações públicas e as empresas públicas aumentaram em quase 27 mil milhões e 2,9 mil milhões de euros, respectivamente. 

(Económico, 22-2)

publicado por Mário Pereira às 13:18
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A beleza dos números redondos e o rigor jornalístico

Notícia de hoje, 22 de Fevereiro: saíram da Função Pública entre 17 e 20 mil trabalhadores. Título do «Económico»: Saíram 20 mil funcionários do Estado em 2011.

Tinham que pôr um número redondo. Não iam pôr 17 a 20 mil. Como não sabem o número concreto, porque o secretário de Estado não o referiu (também não deve saber) e o jornalista tem mais que fazer do que investigar minudências destas, bota-se um número bonito: 20 mil.

É a mesma lógica que se aplica quando há manifestações ou greves: 100 mil, 150 mil, 300 mil. Nunca ninguém viu uma manifestação ou greve com 90 mil pessoas, muito menos com 87 mil. Foi grande, logo 100 mil. Passados uns tempos há outra, aparentemente (ou convenientemente) maior: 150 mil. É simples: contam-se os dedos dos pés e divide-se por dez.

É o chamado rigor jornalístico levado ao extremo... menos rigoroso. E mais redondo. Arredondamento para cima, em nome da beleza dos números e também para facilitar a compreensão por parte dos estúpidos leitores.

Mas vamos ao que interessa: diminuição do número de funcionários públicos. Certo? Errado. Porque não diz quantos entraram no mesmo período. Mas mais importante: deve-se isto a uma política do Governo, no sentido de diminuir o peso (leia-se a despesa) do Estado? NÃO! Estas pessoas simplesmente reformaram-se. Ou seja, continua a ser o Estado a garantir-lhes o sustento, com a diferença de que agora não precisam de trabalhar. (Vou ser mauzinho: e antes?... Eh! Eh!).

Já agora, quantos destes FP tinham 65 anos? Também não sabemos. Não interessa. O que interessa é o número redondo: 20 mil.

Por fim, no último parágrafo do artigo do «Económico»:

«Ao longo do ano passado foram reduzidas 40% das estruturas da Administração Central e 27% nos cargos de gestão. Houve uma diminuição de 142 organismos e de 1711 cargos de dirigentes. O governante acrescentou ainda que na administração central directa havia 102 estruturas e no final do ano passado eram apenas 80, uma diminuição de 22%. Já na administração central periférica ou seja regionais a redução foi de 67% de 43 estruturas para 14. Nos institutos públicos a redução foi de 74 para 56.»

Maravilha!

Depreende-se que toda esta gente foi para o desemprego. Ou para o sector privado. Ou emigrou. À mama do Estado é que não devem continuar, com certeza. Isso é que era bom! Isso era no tempo dos «xuxas»! Essa pouca vergonha acabou!

Já agora, alguém me sabe dizer quantos «grupos de trabalho» foram criados por este Governo? E quanto custam ao erário público? Não é por nada, é só porque andam por aí umas más línguas a sussurrar que por tudo e por nada o Governo (porque é pequeno e não pode fazer tudo, claro...), cria grupos de trabalho. Mas esse tema fica para outras núpcias...

Ficamos com a beleza estonteante dos números: Saíram 20 mil funcionários do Estado em 2011.

Conclusão: esta rapaziada está a trabalhar à séria. Só não vê quem não quer. Assim, o sucesso é garantido. Portugal está no bom caminho. Em breve voltaremos a ocupar o nosso verdadeiro lugar na História, o lugar de grande Nação, antiga e orgulhosa dos seus pergaminhos. Como nos gloriosos tempos do Salazar, em que passávamos fome mas não devíamos nada a ninguém.

Para os que ainda têm dúvidas, vamos ser claros: Toca a trabalhar, malandros! Agarrem-se à enxada, que há por aí muita terra para cavar. Como nos tempos da «Fanga» de Redol: sete partes da colheita para o dono da terra (pois então), uma parte para o trabalhador.

publicado por Mário Pereira às 12:26
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

Como chegar a primeiro-ministro neste cu de judas

Não resisto a transcrever este texto do Ricardo Araújo Pereira na Visão, com a devida vénia:

 

"É difícil distinguir a linguagem político-militar da linguagem militar simples. Os recrutas, na tropa, ouvem que a boa vida que tinham antes acabou. Que quem acha que não aguenta deve sair. Que são preguiçosos. Que têm de fazer sacrifícios pela pátria. Que devem deixar de ser piegas. Os portugueses, na caserna, ouvem o mesmo: que viviam acima das suas possibilidades, e por isso a boa vida que tinham antes acabou. Que quem acha que não aguenta deve emigrar. Que são preguiçosos, e por isso têm de trabalhar mais, dispor de menos feriados, deixar de festejar o Carnaval e ter férias menores. Que têm de fazer sacrifícios pela pátria, empobrecendo. E que devem deixar de ser piegas. Passos Coelho está a fazer de nós homens. Na impossibilidade de nos aplicar, como castigo, séries de 20 flexões de braços, cobra impostos. Flectimos o braço na mesma, mas é para ir buscar a carteira ao bolso. É duro, mas tem de ser. Porque Passos Coelho sabe melhor do que ninguém o que acontece àqueles portugueses menos esforçados, cuja capacidade de trabalho lhes permite arranjar emprego apenas nas empresas dos amigos, e que por opção, e não por necessidade, deixam a conclusão da licenciatura lá para os 37 anos: podem chegar a primeiro-ministro. E esse é um destino trágico que ele não deseja aos seus compatriotas."

 

Ler mais: http://aeiou.visao.pt/ricardo-araujo-pereira=s23462#ixzz1maWyioSx

publicado por Mário Pereira às 11:06
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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

Ainda o (des)acordo ortográfico

Eu não mudo a ortografia que sempre utilizei. 
Não porque o malfadado acordo seja inconstitucional. Aliás, já mete nojo, esta conversa das inconstitucionalidades a propósito de tudo e de nada. A Constituição não é propriamente um Corão que tenha que se seguir de uma forma fundamentalista e completamente deturpada por fanáticos mal intencionados. 
Para mim, são dois pontos, essencialmente, os que me fazem ser contra este acordo: 
1. A alteração da grafia pode levar à alteração da pronúncia das palavras. Exemplo: "espéctador" passa a "espetador" (o segundo e lê-se como na palavra "espetar". O mesmo para "expéctativa", que passa a "expetativa", esta com a agravante de manter o "c" no Brasil (eispéctátchivá). 
2. É um disparate fazer um acordo com um país em que se trata tão mal a nossa Língua, como é o Brasil, apenas porque são muitos. Qualquer dia teremos que mudar novamente o acordo, se os moçambicanos, ou os angolanos, que também são muito mais que nós, decidirem começar a escrever como falam? 
"uu tem que OBDC UU"? Ou seja, "os mais pêquênu tem que óbêdêcê os mais grande"? 
"Mais não é póssívéu! Nóis táva tão sussêgádjinhu e viéro essis cara mudá tudo só púrrqui tem lá muita gêntchi que não sábiá iscrêvê o purrtugueis! Intão vóceis acham qui ágora êlis vão aprendê à iscrévê e à fálá?" 
Tantas reguadas que a minha geração levou na escola primária para aprender a escrever sem erros, para nada? 
"Dois três quatro cinco meia sete oito, tá na hora de molhar o biscoito": é possível entender isto sem tradutor?
DASS!... C_R_LH_S F_D_ C_R_LH_! _A_A__O_ _O_Ó _A_A__O!
publicado por Mário Pereira às 22:49
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