Quinta-feira, 22 de Novembro de 2012

Façam mas é o vosso trabalho

Centenas de pêjotas manifestaram-se ontem frente ao parlamento. 

Não, não consta que tivesse havido pedradas, nem carga policial.

Por falar nisso, já de lá tiraram a calçada portuguesa, ou estão à espera da próxima manifestação da "meia dúzia de energúmenos"?

Essa manifestação - a da PJ, não a dos energúmenos - mais não foi do que um protesto corporativo, igual a tantos outros que se têm feito em Portugal - curiosamente desde que o regime do corporativismo foi derrubado... - e que também contribuíram para aumentar as desigualdades e injustiças do nosso país.

Assim temos vivido, com os sucessivos governos a cederem sistematicamente perante as corporações. Quem é que nunca ouviu dizer a um funcionário público, em relação, por exemplo, ao facto de ter um horário de trabalho mais reduzido do que os privados: "Não sou eu que estou bem, tu é que estás mal"...

De direitos adquiridos em direitos adquiridos, chegámos a este ponto.

Sim, porque não foram só os políticos que "mamaram" nestes anos todos, principalmente desde que entrámos para a CEE e os milhões começaram a jorrar. O Sócrates nunca se teria "lá" aguentado seis anos se não tivesse alimentado grandes e importantes clientelas. O mesmo se pode dizer do Cavaco e do Guterres, para só citar os que (des)governaram durante mais tempo.

E também é verdade que muitas dessas clientelas são empresas, em que trabalha(va)m milhares de portugueses...

Mas voltando à vaca fria, se a PJ fizesse o seu trabalho com competência, a corrupção não teria atingido a escandalosa dimensão que atingiu e o Estado português não estaria, como está, completamente capturado por uma autêntica mafia de abutres e parasitas.

Sendo assim, a Judiciária não tem de que se queixar, porque a pobreza generalizada do país mais não é do que o escandaloso enriquecimento dos que o (se) têm governado...

publicado por Mário Pereira às 15:52
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É tão fácil falar de barriga cheia...

Portugal é um "brilhante exemplo" para a zona euro

"...Portugal está a levar a cabo um trabalho extraordinário", diz o ministro alemão. Ministro de quê? Das finanças, claro. Da solidariedade social, com palavreado deste, não poderia ser, de forma nenhuma. Senão, vejamos:

"Sabemos todos que Portugal está a cumprir com as suas obrigações".
Uma vez que o cumprimento dessas "obrigações" se tem traduzido num empobrecimento generalizado, na diminuição das funções sociais do Estado, num aumento do desemprego e das falências das empresas e, apesar de tudo isso, num aumento da dívida externa - tudo de forma brutal -, poderíamos então perguntar o que é que está a correr bem.

E a resposta é simples: estamos a conseguir pagar os juros da dívida.

E é apenas isso que interessa ao ministro dos bancos alemães. O resto é conversa da treta. Para ele, para os alemães e para os ricos da Europa, de uma forma geral e, infelizmente, para alguns portugueses, também.
Claro que nenhum deles sonha sequer o que é estar desempregado e não ter comida para pôr na mesa dos filhos. Mas isso, para eles, é... demagogia.

Realmente, há discussões que não vale a pena ter.

publicado por Mário Pereira às 15:39
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2012

Frases feitas

Vivemos acima das nossas possibilidades

Esta frase, escrita no Google, retorna cerca de 80 000 resultados. 

Trata-se, sem dúvida, de uma das mais repetidas desde a má hora em que a troika tomou conta dos nossos destinos. 

É também um dos maiores embustes com que os "troikistas" nos têm tentado convencer a suportar, mais que o empobrecimento, este inexorável caminhar para a miséria.


Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade

Já dizia o Goebbels, ministro da propaganda do Hitler...

 

Vivemos acima das nossas possibilidades...

Vivemos acima das nossas possibilidades...

Vivemos acima das nossas possibilidades...

 

Para a mentira ser segura

E atingir profundidade

Tem de trazer à mistura

Qualquer coisa de verdade

Eu, que não gosto que me façam mais burro do que o que já sou, prefiro esta, do nosso poeta Aleixo.

Por mais que tente, não consigo convencer-me de que as coisas tenham que ser assim.

Aceitar o sofrimento como punição e redenção para poder um dia, sabe-se lá quando - depois da morte? -, ter uma vida melhor?


Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora!

publicado por Mário Pereira às 22:25
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2012

O Pedro e o lobo

Ponto 1 - O Passos Coelho é um aldrabão.

Ponto 2 - Claro que este facto, por si só, não tem uma conotação particularmente negativa, uma vez que o seu antecessor, por exemplo, até tinha por alcunha «Pinóquio». Há mesmo quem diga que para se chegar ao poder é preciso mentir com quantos dentes se tem na boca, porque o povo «gosta de ser enganado».

Ponto 3 - Porque é que ele é aldrabão? Os exemplos são mais que muitos, mas fiquemo-nos por um: antes de ser eleito garantiu que não ia aumentar os impostos e depois de «lá» chegar lançou sobre os portugueses a maior carga fiscal de que há memória.

Ponto 4 - Alguns comentadores, para o desculparem, afiançam que não tem alternativa senão aplicar a receita da troika, uma vez que estamos totalmente dependentes dos credores para podermos honrar os nossos compromissos (nomeadamente, os juros da dívida...) e, sob pena de cairmos no abismo (com tanta queda no abismo, não tarda estamos a chegar à... China, pois claro!), temos que abdicar «temporariamente» da nossa soberania. Ou, como na anedota, «uu bdc OO» (explicando, com sotaque africano: «os pequeno[s] [o]bedece[m] [a]ós grande[s]»).

Ponto 5 - Tanto nos martelam na cabeça que não temos alternativas a esta política («uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade» - Goebbels, ministro da propaganda de Hitler), que somos forçados a concluir que este é realmente o único caminho. Resignemo-nos então. Batamos com a cabeça na parede e penitenciemo-nos pelo tempo em que andámos a viver «acima das nossas possibilidades». Suspendamos a democracia por uns tempos e façamos uma espécie de união nacional, para ver se conseguimos tornar-nos o primeiro país do mundo a ficar livre de dívidas. Como diria o Salazar, pobrezinhos mas honrados. Ou, ainda à maneira do velho ditador, oremos para que o Pedro nos livre da terceira guerra mundial, já que não nos consegue livrar da fome.

Ponto 6 - Apesar de tudo, continuo na minha... ponto 1...

publicado por Mário Pereira às 10:50
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2012

Jornalismo e negócio: um equilíbrio difícil...

Eu gostava de viver num mundo em que os media não pertencessem a grandes grupos económicos, nem ao Estado. 

Gostava que os media fossem exclusivamente projectos jornalísticos, e não de poder, que pertencessem aos próprios jornalistas, e/ou ao público.
Isso sim, possibilitaria a verdadeira e total independência dos jornalistas.
Ah!, e claro que gostava que esses media fossem financeiramente viáveis, de preferência sem publicidade, ou pelo menos sem dependerem de dois ou três grandes empresas e/ou do Estado.
Chamem-me lírico ou, como diria o Henrique Monteiro, chamem-me o que quiserem, mas, como também diria o bom gigante Torres, deixem-me sonhar...

publicado por Mário Pereira às 23:00
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Domingo, 4 de Novembro de 2012

Para quando um memorando para a justiça?

Depois do primeiro memorando de entendimento, vamos agora assinar um segundo para a cooperação (leia-se a importação de modelos) na área do ensino profissional.
Seguir-se-á, provavelmente, outro na área da justiça, a maior vergonha nacional e a verdadeira razão porque o país está neste estado, e o mais que se há-de ver.
Portugal sempre foi um país de emigração. Tradicionalmente, emigravam as pessoas mais pobres e menos qualificadas, as pobres gentes que viviam miseravelmente de uma agricultura de subsistência.
Mas há 50 anos começaram também a emigrar muitos técnicos qualificados, como mecânicos, serralheiros, soldadores, electricistas, pedreiros, pintores, etc.
Hoje em dia, há milhares de licenciados emigrados e outros milhares a prepararem-se para o fazerem.
Apesar disso, o Crato acha que o problema do nosso desemprego é a falta de qualificação dos portugueses.
Diziam os romanos:
"Nos confins da Ibéria, vive um povo que não se governa nem se deixa governar".
Agora, apenas a primeira premissa se continua a verificar. Em consequência disso estamos, mais uma vez, a atravessar um período de crise. Mas quanto à segunda, e pela primeira vez na nossa história, parece que as coisas estão a mudar. Estamos finalmente a deixar-nos governar.
Até quando?...

publicado por Mário Pereira às 22:20
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