Sábado, 14 de Julho de 2012

Dois vermes que um dia quiseram ser astros

Pinto Monteiro está atento a todas as notícias sobre a Universidade Lusófona, no âmbito do 'caso Relvas'.

O PGR, o Tribunal de Contas, as entidades reguladoras, o Provedor de Justiça, os tribunais, o Parlamento, a outra rainha de Inglaterra chamada PR (na minha terra mais conhecido por “Gravelho"), as eleições de vez em quando, a comunicação social "livre e plural", com os seus jornalistas "competentes e independentes" a fazerem "jornalismo de investigação", as polícias também, porque não? e os cães de caça, é tudo da mesma raça.

Explicando melhor: todas elas são instituições absolutamente necessárias mas não suficientes para construir uma democracia.

E porquê? Porque a democracia não faz sentido por si só, mas apenas na medida em que permite e contribui para a liberdade, pluralidade, fraternidade, igualdade, responsabilidade, justiça, respeito pelos outros...

Uma "democracia" em que as instituições apenas fingem que existem, sem cumprir o seu papel, permitindo que a corrupção alastre, as desigualdades se aprofundem, os políticos e afins parasitem a sociedade, enfim, os ricos se tornem cada vez mais ricos enquanto os pobres se tornam cada vez mais pobres... não é mais que um arremedo de democracia.

O Pinto Monteiro é apenas mais um dos muitos palhaços bem pagos para fingir que fazem alguma coisa de válido, ao mesmo tempo que encolhem os ombros de impotência e indiferença perante os vampiros que nos sugam insaciavelmente.

Confesso que me apetece dar um enxerto de porrada às luminárias que, do alto das suas três ou quatro reformas pagas por uma maioria que continua a trabalhar desesperadamente para que este País não se afunde de vez, afirmam sem qualquer vergonha que todos temos que pagar o preço de termos vivido acima das nossas possibilidades, aceitando estoicamente o empobrecimento. Porquê?

1. Porque eu não vivo, nunca vivi nem viverei acima das minhas possibilidades;

2. Porque essas luminárias não souberam prever e muito menos evitar a crise em devido tempo, tendo pelo contrário muitos deles contribuído para ela;

3. Porque os verdadeiros responsáveis por este estado de coisas são os bancos, os políticos corruptos, as grandes empresas das obras públicas e os escritórios de advogados que fazem as leis absurdas que os absolvem e nos condenam, os estudos e consultorias de milhões e os contratos sempre ruinosos para o Estado e principescos para os privados.

Perante tudo isto, o que são o PGR e o Relvas?

Apenas dois vermes que um dia quiseram ser astros...

publicado por Mário Pereira às 00:32
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