Segunda-feira, 3 de Setembro de 2012

Prevenção? Isso é alguma coisa que se coma?

Este ano «só» morreram 29 na «Operação Hermes», montada pela GNR para controlar e fiscalizar o trânsito nas alturas mais complicadas de ida e regresso de férias dos portugueses.

No ano passado, pela primeira vez em 50 anos, morreram menos de 700 pessoas nas nossas estradas. Foram «só» 690!

Espectáculo!

Este ano ainda «só» morreram dois ou três por causa dos incêndios!

Categoria!

Segundo o presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Abano Ribeiro, «desde o princípio do ano registaram-se 20 mortes em acidentes laborais na construção, mais quatro do que em período homólogo do ano passado».

http://dinheirodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=185986

Nice!

Apesar de a construção ter levado um tombo de todo o tamanho, têm morrido mais trabalhadores, «o que se explica pelo desinvestimento por parte dos empresários na segurança».

Sim senhores!

São mais de duzentos mil acidentes de trabalho por ano, fora os que não são registados.

São milhões de horas de trabalho perdidas.

Milhões de euros de prejuízo para as empresas.

Milhões de euros de custos para as seguradoras.

Milhões de euros de custos para o Estado, com as despesas médicas (tratamentos e medicação) e com as baixas.

Em 2010 e 2011, apesar da diminuição do número de horas trabalhadas, inverteu-se a tendência de diminuição de mortes por acidentes de trabalho da última década.

Porquê?

Por causa do desinvestimento na segurança.

Os empresários acham que a formação e a segurança são custos e não investimentos.

Depois, podem ter sorte ou não. É como o euromilhões, só que ao contrário.

De vez em quando, lá acontecem uns acidentezitos, uns estropiamentos, umas mortes…

Outras vezes, há uns incêndios.

Aqui é mais grave, porque os prejuízos financeiros são mais avultados…

Com os incêndios florestais é a mesma coisa.

Há mais de um milhão de desempregados, mas não se investe um tusto na limpeza e no ordenamento florestal.

Depois, haver ou não grandes fogos depende exclusivamente de fazer mais ou menos calor.

Os milhões de euros de prejuízos, mais o que se gasta no combate aos incêndios, davam e sobravam para pagar a quem fizesse a limpeza e vigiasse as matas, mas nenhum governo considera prioritárias essas medidas.

Porquê?

Porque, tal como os empresários, também os políticos as consideram um custo e não um investimento.

Tal como no início das descobertas, os portugueses continuam a navegar à vista. 

Entretanto, passaram mais de quinhentos anos...

publicado por Mário Pereira às 17:38
link do post | comentar | favorito
|

.pesquisar

 

.Contador

.Maio 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


.posts recentes

. A culpa é dos pilotos. E ...

. Há poucos médicos. Porque...

. Vão trabalhar, malandros!

. Apetecia-me atirar o Maga...

. Nasci refugiado

. A triste natureza humana

. Estamos entregues às mafi...

. Aprender ou não a lição, ...

. Cristiano, Bento e Jardim...

. (Des)humanidades...

.arquivos

. Maio 2015

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds