Terça-feira, 20 de Agosto de 2013

Umas férias para (des)cansar...

Um amigo meu foi este ano de férias para a Manta Rota.
Ao chegar, viu-se aflito para encontrar, naquele imenso areal, um cantinho desocupado.
- C'um caraças! Como é que uma praia tão grande tem tão pouco espaço disponível? E mais que há crise - disse ele para a mulher.
- É precisamente por isso. Senão, estava tudo na República Dominicana e em Cancún - respondeu ela.
Finalmente lá encontraram um pequeno espaço livre e ele refastelou-se imediatamente na toalha. Como bom português que se preza de ser, passados cinco minutos estava a dormir uma bela sesta, enquanto a sua pele ia adquirindo aquela tonalidade tão característica do camarão cozido.
De repente, acordou com alguém a gritar:
- Bolinha! Olha a bola de Berlim!
- Raios partam isto! - desabafou ele. - Não me bastava já o Coelho com o seu batalhão de guarda-costas a ocupar a praia toda e agora até a Merkel vem para aqui de férias? - e, dizendo isto, levantou-se e começou a ir-se embora.
- Onde é que vais? - perguntou a mulher.
- Vou dar uma volta para espairecer! Olha, já sei! Vamos almoçar ao Frango da Guia!
Quando deu por ele, estava metido num engarrafamento na 125. 
Mal se livrou desse aperto, por pouco não se viu envolvido numa colisão entre vários veículos, provocada por uma ultrapassagem perigosa feita por um energúmeno cheio de pressa, apesar de também estar de férias.
Quando finalmente chegaram ao restaurante, tiveram que ficar quase duas horas a secar, à espera de lugar. 
Depois do almoço, e como estavam perto, resolveram ir até à Urbanização da Coelha.
- Vamos espreitar a famosa vivenda do nosso "pdesidente". O gajo 'tá de férias, até pode ser que a gente o veja, teso que nem um carapau. Parece que engoliu um garfo.
Não tiveram a mínima hipótese. À rua da Gaivota Azul apenas podem aceder os moradores, ou o "pessoal autorizado". Disso se encarrega o bófia que lá está em permanência, numa guarita.
Quando as férias acabaram, vieram para cima pela estrada velha, atravancada de carros, como nos velhos tempos. Como nos velhos tempos, fangios impacientes aceleravam a fundo para ultrapassarem três carros seguidos num traço contínuo.
Ao lado, um bólide passava de quinze em quinze minutos a 200 à hora, com a autoestrada só para si...

publicado por Mário Pereira às 23:06
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